Sábado, 10 de Abril de 2010

Histórias e recordações do Quitexe - II

Carrego ainda hoje na perna direita as marcas de uma aventura de criança com o António Figueiredo Antunes, filho do sr. Antunes do talho e da D. Alice.
 
Estava um tractorista da fazenda Pumbaloge com um tractor da fazenda (de rodas e com uma lâmina de nivelar na traseira) a fazer a avenida que ia para a igreja. Eu e o Antunes, sempre que o tractor baixava a lâmina, sem que o condutor nos visse, subíamos para a lâmina e descíamos toda a avenida empoleirados. Ao fundo da avenida, andava o meu pai junto da casa que andava a fazer. Numa das vezes que o tractorista se preparava para descer a avenida, o meu pai viu o Antunes subir para a lâmina e deu-lhe um grito para sair dali. A mim não me via porque eu estava do lado direito do tractor, já empoleirado na lâmina. O Antunes aborrecido por não poder fazer mais aquela descida, chegou-se ao pé de mim e deu-me um empurrão que me atirou da lâmina abaixo, no preciso momento em que o tractorista baixava a dita lâmina, que descarregou todo o seu peso sobre a minha perna direita, quase junto ao tornozelo. Como eu gritei, o homem levantou a lâmina e veio-me socorrer. Eu só lhe disse: “não digas nada ao meu pai” e desatei a correr por uma vereda lateral que ia da igreja para minha casa através de um bananal. É claro que o homem gritou pelo meu pai que veio também a correr mas só me conseguiu apanhar à entrada da nossa casa. Meteu-me de imediato na carrinha e levou-me para a zona. A minha mãe foi lá ter a pé, logo que soube. Fui imediatamente socorrido pelo enfermeiro da zona, que depois de me limpar a ferida, me aplicou 7 agrafos. Ainda hoje carrego essa cicatriz, como “medalha de bom comportamento”.
 
 
 
Os dias que se seguiram, foram terríveis, pois não deixei de ir à escola. Como não podia andar, o meu pai levava-me de carro até à escola e ao colo até à carteira onde eu me sentava. No intervalo os meus colegas iam para a brincadeira e eu ficava sozinho sentado na sala, até à hora da saída, quando o meu pai me ia buscar.
 
 

Numa das viagens a Luanda, regressávamos ao Quitexe de boleia com o Sr Silva (Fogueteiro) e esposa, eu e a minha mãe, no carro do Sr. Silva, um volvo “marreco”. Ao chegarmos aos morros do Piri, viam-se alguns camiões enterrados pelo morro acima. Aguardavam a chegada de uma máquina para os desenterrar. Como nós íamos num automóvel ligeiro, os camionistas e respectivos ajudantes, posicionaram-se ao longo da subida. Os passageiros do volvo, subiram o morro a pé (como eu adorava andar com os pés na lama). Gostava particularmente desta azáfama de atascanços, chuvas, matas, etc. O cheiro da mata, em especial depois de uma chuvada é das coisas agradáveis de sentir e que nunca se esquece. O Sr Silva, embalou o carro o mais que pode e quando este começou a patinar, os camionistas começaram a empurrá-lo até ao cimo do morro. As sandes que levávamos para o caminho, foram entregues aos camionistas, pois nós sabíamos que passando o Piri já chegávamos ao Quitexe.

 

António Manuel Guerra

publicado por Quimbanze às 09:20

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